sábado, 20 de outubro de 2012

Igreja celebra o Dia Mundial das Missões.

 


Neste domingo, 21, a Igreja no mundo celebra o Dia Mundial das Missões. Trata-se de um grande acontecimento e uma oportunidade de fazer sentir a vocação missionária da Igreja. O documento Redemptoris Missio, Encíclica do papa João Paulo II sobre a validade permanente do mandato missionário, exorta, “todas as Igrejas e os pastores, os sacerdotes, os religiosos e os fiéis, a se abrirem à universalidade da Igreja, evitando toda a forma de particularismo, exclusivismo, ou qualquer sentimento de autossuficiência (RM 85)”.
Em outras palavras, o documento faz um apelo a toda a Igreja: de se abrir para Missão além-fronteiras, conforme o mandato do próprio Jesus Cristo. A Igreja “foi enviada para manifestar e comunicar a caridade de Deus a todos os homens e povos (Jo 10, 10)”, mandato que o Redemptoris Missio também frisa. “Esta Missão é única, sendo a mesma a sua origem e fim; mas, na sua dinâmica de realização, há diversas funções e atividades. Antes de tudo está a ação missionária denominada ‘missão ad gentes’”.
O Dia Mundial das Missões tem o objetivo de celebrar a unidade da Igreja através da partilha e da fraternidade. Os filhos de Deus, nesse dia, devem festejar a universalidade da Missão em colaboração intensa e espiritual de generosa ajuda. O ato do papa Pio XI na solenidade de Pentecostes de 1922 sintetiza o que deveria ser o Dia Mundial das Missões dali em diante. O pontífice interrompeu sua homilia e, em meio a impressionante silêncio, tomou seu solidéu, fazendo-o passar entre a multidão de bispos, presbíteros e fiéis na Basílica de São Pedro, no Vaticano, enquanto pedia a toda a Igreja ajuda para as Missões.
O primeiro Dia Mundial das Missões foi celebrado em 1927 e, em 19 de outubro de 1985, o papa João Paulo II lembrou a origem do Dia, falando aos fiéis da Igreja de Sassari, durante sua viagem pastoral à Sardenha. “Nunca venha a faltar o espírito missionário que animou as testemunhas de Cristo nesta cidade. Todo mundo sabe que o Dia Mundial das Missões foi sugerido em uma reunião do Círculo Missionário do seminário provincial de Sassari em 1926, então governado pelos padres vicentinos, entre os quais se destacava pelo zelo apostólico o padre Giovanni Battista Manzella”.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

KENIA - ENCONTRO INTERNACIONAL


 O AMOR FRATERNO, DISTINTIVO DA FAMÍLIA DE ROSA GATTORNO
TODAS UNIDAS NUM MESMO SENTIMENTO
  
 Que o Espírito Santo ilumine cada uma das Irmas participantes desse encontro e que todas as decisões tomadas revigorem em cada Filha de Sant´Ana espalhada no mundo todo o Amor a Deus e a Vocação a que foram chamadas.
MADRE ROSA AS CONDUZA NESTA GRANDE JORNADA.
AMÉM!

terça-feira, 16 de outubro de 2012


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

 Sínodo dos Bispos 

DISCURSOS!  

1) O primeiro orador falou das raízes da fé, ou melhor donde nasce a credibilidade de nossa fé, a fim de que seja uma confissão da fé (e não apenas uma profissão, isso é, o conteúdo em que cremos). Ele tinha muita autoridade para falar, pois representava a Igreja da Europa centro-oriental (Croácia, arcebispo de Zágreb), onde o comunismo dos anos da cortina de ferro fez muitos mártires. Hoje não há mais o martírio de sangue, mas o martírio incruento do massacre produzido pelas novas expressões ideológicas materialistas (secularização da vida), levando à intolerância da religião, principalmente do cristianismo. O martírio consiste em não ceder à lógica do mundo e mostrar que pertencemos a um "Outro". Sobretudo leigas e leigos resistem às novas ideologias e são os primeiros anunciadores da Nova Evangelização (NE).

2) Um lugar da NE é a mobilidade humana (migração), dentro da qual se coloca também as peregrinações, tão queridas pelo povo e que reavivam a fé dos peregrinos.

3) A NE não se resolve com planos feitos por especialistas... mas é obra do Espírito Santo.

4) O Bispo de Phom Penh (Cambodja) afirma que os fundamentos da NE são: 1) o verdadeiro encontro com Jesus Cristo que abre o coração ao amor e ao perdão e, 2) os leigos que devem atuar no mundo (Apostolicam actuositatem!). Como a Igreja será verdadeiro Sacramento de Cristo no mundo para ser uma NE em ato? Responde: uma igreja que toque os corações, simples, hospitaleira, orante e alegre.

5) Um outro denuncia os vícios de antigas cristandades e propõe uma conversão pastoral com 4 pistas: santificação pessoal, uma releitura aprofundada do magistério da Igreja, uma nova pastoral, com novo estilo: querigma, iniciação cristã catecumenal, dimensão racional e apologética da fé, eclesiologia que acredite na corresponsabilidade dos leigos, espaços de acolhida e de diálogo, uma "ecologia humana".

6) Experiência de NE vivida na Arquidiocese de Barcelona: redescoberta do Evangelho centrado no anúncio de Jesus (Evangelho de Marcos distribuído em profusão, átrio dos gentios), muita importância aos leigos, valorização da missa dominical, favorecimento de momentos de espiritualidade e de experiências pessoais, uma leitura crente da realidade atual.

7) Grande obstáculo à NE é a divisão dos cristãos, particularmente entre a Igreja Católica e Igreja Ortodoxa russa e rumena. O ecumenismo (do oriente e do ocidente) é indispensável para dar testemunho de Jesus Cristo.

8) É preciso insistir no modelo familiar cristão, apesar de toda ideologia em contrário e dar maior atenção às famílias canonicamente irregulares. Propõe-se uma opção prioritária à família.

9) Dois cenários preocupantes: a) há hoje um caos cultural que deforma a compreensão da Verdade e da Bondade, levando ao autoisolamento e subjetivismo. Como consequência do consumismo aparece o relativismo moral e religioso que se transforma nas diversas formas de pseudorreligiosidade e neopaganismo. Esses e outros elementos são o cenário que a NE deve enfrentar. b) Os jovens se encontram numa situação insustentável: são envolvidos muito antecipadamente, com relação à própria idade, num mundo rico de informações, saberes, sensações, oportunidades de encontro, mas ao mesmo tempo são abandonados pelos adultos que os deveriam formar. Nunca na história houve tanta liberdade individual e de massa como para os jovens hoje, mas é uma promessa sem futuro, pois os adultos renunciaram a seu papel educativo... numa espécie de Édipo ao contrário, são os pais que matam seus filhos...

10) Se por um lado há muitas queixas, por parte dos Orientais e Africanos, contra a discriminação perseguição dos mulçumanos, por outro foram apresentadas boas experiências de conversões do islamismo. Perguntando a jovens mulçumanos qual a razão que os leva a se aproximarem do cristianismo, respondem: a alegria e a liberdade!

11) O Card. Rouco Varela (Madrid) afirmou: há secularismo porque houve secularização que tem suas raízes na crise pós-guerra, na "morte de Deus", no super-homem, nos totalitarismos (comunismo, nacionalismo, fascismo) que geraram a "Igreja do Silêncio". Nesse quadro, nasceu o Vaticano II, mas depois a crise se aprofundou com a revolução de "maio de 68" com uma radicalidade teórica e prática que afeta a própria pessoa humana... "um bebê de chipanzé tem mais direitos que uma criança com deficiência...". E a Igreja, o que fez? Certamente muita coisa, mas hoje é necessário mostrar em praça pública quem somos e o que somos. É hora de profundo exame de consciência, conversão pessoal e pastoral. A Igreja precisa "desmundanizar-se" para uma renovada e fecunda evangelização de nosso tempo!

12) O bispo japonês de Fukuoka agradeceu sensibilizado a grande ajuda que a Igreja do Ocidente deu àquele país por ocasião do terrível tutsinami: foi a prática da Gaudium et Spes e isso foi um importante sinal do Evangelho de Jesus para o povo japonês. Ao mesmo tempo manifestou grande esperança nos resultados do Sínodo.

13) Se a Igreja falhou no passado é porque transmitiu apenas conteúdo, doutrina fria, moralismos... hoje precisa centrar-se no Ato de Fé, no encontro e resposta pessoal a Jesus Cristo. é preciso evangelizar primeiramente os evangelizadores: bispos, presbíteros, vida consagrada, e uma séria conversão pastoral.

14) O superior geral dos dominicanos, Pe. Bruno Cadoré apresentou três desafios: 1) diálogo com as ciências: Deus confiou aos homens o trabalho de buscar juntos um "mundo comum a todos", um verdadeiro caminho para a "humanização do homem". 2) Desafio da liberdade: é preciso fazer como Jesus que caminhava com seus discípulos pela Palestina manifestando a fraternidade e amizade de Deus para com os homens. Precisamos aprender da paciência de Deus que confia na frágil liberdade humana: a evangelização encontra sua força na contemplação desse mistério da misericórdia. 3) O desafio da fraternidade: a graça do Espírito de Deus pode transfigurar a realidade humana da fraternidade em sacramento da amizade de Deus com os homens.

15. Dom Shlemon Warduni, bispo da Babilônia dos Caldeus afirmou: a NE deve fundamentar-se na graça do Espírito Santo que ilumina o homem e o faz acolher a vocação cristã. É preciso evangelizar-se a si mesmo para depois evangelizar os outros. Apresentou uma situação extremamente difícil para a Igreja no Iraque: número de cristãos em constante diminuição por causa da emigração contínua dos fiéis, dos catequistas e do clero, e também pelo mau exemplo da desunião entre os cristãos.

16) Por fim, o nosso irmão salesiano, Card. Ângelo Amato, fez um pronunciamento intitulado: Os santos evangelizam. Eles pregam e anunciam o Evangelho não tanto com a palavra, mas com o exemplo de vida mergulhada em Deus e fazendo o bem aos irmãos.

Roma, 15 de Outubro de 2012 - Santa Tereza de Jesus.
Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.

sábado, 13 de outubro de 2012

Notícias do Sínodo dos Bispos

12 de outubro das 09h30 às 12h00 houve mais uma longa sessão de discursos, ao todo 25. Falaram personagens bastante conhecidas como o prelado da Opus Dei (J. Echeverria), Dom G. Ravasi, do Pontifício Conselho para a Cultura). Foi um dia também salesiano, pois falaram dois bispos nossos irmãos de Congregação e o Reitor Mor.

Uma pensamento que já foi bastante acentuado e que retornou hoje foi: a Nova Evangelização deve começar pela conversão dos Bispos, dos Sacerdotes, dos Religiosos... e nessa linha se coloca a revalorização do Sacramento da Penitência e a renovação da vida espiritual.

Bispos do Leste Europeu (ex países comunistas), mas também de outras partes, insistiram que o guardião da fé em muitos lugares é a família, principalmente em época de perseguição ou de "desertificação espiritual", como afirmou ontem Bento XV. Alguns apresentaram experiências em que toda paróquia gira em torno da Pastoral Familiar e a evangelização, ou início de evangelização, se faz pela Pastoral da Visitação, às vezes de porta em porta. Bispos da África, como também da América Latina, sublinharam e defenderam muito as pequenas comunidades, com meio de sustentar a fé do nosso povo.

Sobre elementos que caracterizam o sacerdócio ministerial estão: seu lugar específico na Igreja, sua origem sobrenatural e sacramental e sua ligação essencial com a Eucaristia; o celibato, por sua vez, está ligado à identidade cristológica e possui um grande valor de testemunho.

Outro tema que nos dias passados, como hoje também aflorou com ênfase, foi o diálogo intercultural e interreligioso. Isso interessa muito às jovens igrejas da Ásia e África, que vivem num ambiente hostil, por vezes de martírio, e encontram no diálogo interreligioso, como minoria, um meio de ter espaço na sociedade e poder afirmar a própria fé. Já fiz referência às grandes dificuldades de minorias cristãs diante do fundamentalismo e fanatismo religioso islâmico. Alguns chegaram a dizer que nem aqui, num ambiente extremamente seguro e fraterno, longe daqueles territórios de perseguição, eles têm coragem de falar a verdade como ela é; temem a represália.

Mas também o diálogo ecumênico não é fácil. Em parte nós sentimos isso com igrejas cristãs que professam a mesma fé aqui no ocidente. Mas, no oriente o confronte com a igreja ortodoxa é também, em muitos casos, extremamente difícil. Um bispo da Romênia me dizia, por exemplo, que já há ortodoxos que negam poder rezar juntos o mesmo Pai Nosso...

O Bispo Salesiano, Dom Enrique Covolo, que esteve no Centro Unisal Pio XI (São Paulo) no mês de julho, desenvolveu o tema da evangelização nas Escolas e Universidades. Além da secularização do ensino básico, médio e superior, a tendência dos estados modernos é de domesticar também as universidades católicas, submetendo-as ao rigor e controle das leis acadêmicas, privando tais institutos da liberdade que sempre tiveram; e denunciou o perigo que temos de, em vista de obter um título civil, renunciarmos a currículos específicos de nossa formação católica ou mesmo à influência do evangelho na cultura acadêmica.

O problema da linguagem na evangelização voltou com a intervenção de dom Gianfranco Ravasi. A nova evangelização precisa adotar os novos cânones da comunicação telemática e digital, e aprender dela a essencialidade, a brevidade e o recurso à imagem. Elogiou a iniciativa do "Pátio dos Gentios" promovido por Bento XVI. Fez referência ao mundo da arte, da cultura juvenil, das ciências e da técnica. "Não devemos ter medo de penetrar o mundo da ciência e da técnica, com o olhar sempre em Jesus que contemplava o mundo vegetal e animal e recorria até às previsões meteorológicas (cf Mt 16, 2-3) para anunciar o Reino de Deus".

O Pe. Pascual Chávez, Superior Geral dos Salesianos, cuja fala já havia sido anunciada ontem, intitulou-a assim: "Vinde e vede: a urgência de encaminhar e favorecer uma cultura vocacional na Igreja". Chamou a atenção para a centralidade das vocações no projeto da Nova Evangelização, pois são dois elementos inseparáveis. Mais do que "vocação", devemos cultivar uma cultura vocacional, isto é, "um modo de afrontar e conceber a vida como dom recebido gratuitamente de Deus para um projeto ou uma missão conforme o seu desígnio". Nesse contexto é que se deve propor aos jovens os diversos caminhos vocacionais: matrimônio, vida religiosa ou consagrada, serviço sacerdotal, empenho social e eclesial, e acompanhá-los no trabalho de discernimento e de escolha.

Pe. Pascual sugeriu que o Sínodo ajude todos os pastores a serem verdadeiros guias espirituais para os jovens. Propôs, ao final, quatro linhas de ação: 1. Favorecer um ambiente ou cultura em que a vocação do jovem possa germinar e desenvolver-se; 2. Acompanhamento espiritual; 3. Intenso amor pela Igreja e 4. Educar para a oração pessoal.

Nessa grande "chuva de idéias" durante essa primeira, muitos outros temas foram abordados e aprofundados. Há uma sensação de que o Sínodo está um pouco disperso e genérico em sua impostação. Mas o pessoal que tem experiência de outros Sínodos (há gente aqui que já participou de 6....), diz que isso é normal na primeira semana. As coisas começarão a afunilarem a partir da 2a. metade, ou seja, na metade da próxima semana!

A grande novidade do dia foi o almoço oferecido para todos (umas 400 pessoas!) pelo Papa Bento XVI. Na primeira parte da grande Sala Paulo VI (aquela das audiências gerais das 4as. feiras, que comporta milhares de fiéis) as cadeiras foram tiradas e montadas umas 50 mesas, além da grande mesa central para o Papa e os convidados mais especiais.

Nós brasileiros (os cinco bispos e mais três participantes) fizemos uma mesa onde, além da refeição caprichada que nos foi servida, partilhamos muito nossos pontos de vista sobre o Sínodo, assim como a vida da Igreja no Brasil. Na mesa do Papa, além de cardeais, estavam dois ilustres visitantes que já haviam falado para os padre sinodais: o patriarca ortodoxo de Constantinopla, sua Beatitude Bartolomeu I e o Arcebispo Anglicano de Cantuária, sua Graça R. D. Williams. Como curiosidade, foi um banquete de 6 talheres e 4 taças. Naturalmente o tom das conversas estavam bem mais alto no final, do que no início...

O dia foi concluído com a palestra de 45 minutos de um prêmio Nobel de Medicina em 1978 (Microbiologia), Prof. Werner Arber, da University of Basel (Suíça) e Presidente da Pontifícia Academia de Ciências da Santa Sé. É o primeiro não católico a ocupar esse cargo (ele é protestante). Assim intitulou sua palestra em inglês: "Contemplation on the Relations between Science na Faith". Em linguagem mais técnica do que teológica, como é próprio do tema, ele apresentou as relações entre ciência e fé, acentuando a compatibilidade entre o conhecimento científico e o conteúdo essencial da fé. Seguiu-se um pequeno diálogo entre o ilustre palestrante e a Assembleia.
Roma, 12 de Outubro de 2012.
Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.

A Igreja existe para evangelizar


Homilia de Bento XVI pronunciada na Celebração Eucaristica por ocasião do Sínodo dos Bispos

CIDADE DO VATICANO, domingo, 07 de outubro de 2012(ZENIT.org) - Às 9:30 desta manhã, XXVII Domingo do Tempo Comum, no Sagrado da Basílica Vaticana, o Santo Padre Bento XVI proclama “Doutores da Igreja” São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen, e preside a Celebração Eucarística por ocasião da abertura da XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cuja homilia apresentamos a seguir:
Veneráveis Irmãos,
Queridos irmãos e irmãs,
Com esta solene concelebração inauguramos a XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que tem como tema: A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã. Esta temática responde a uma orientação programática para a vida da Igreja, de todos os seus membros, das famílias, comunidades, e das suas instituições. Tal perspectiva se reforça pela coincidência com o início do Ano da Fé, que terá lugar na próxima quinta-feira, dia 11 de outubro, no 50º aniversário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II. Dirijo a minha cordial saudação de boas-vindas, cheia de gratidão, a vós que viestes formar parte nesta Assembléia sinodal, em especial, ao Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos e aos seus colaboradores. Estendo a minha saudação aos delegados fraternos de outras Igrejas e Comunidades Eclesiais, e a todos os presentes, convidando-os a acompanhar com a sua oração diária, os trabalhos que realizaremos nas próximas três semanas.
As leituras bíblicas, que compõem a Liturgia da Palavra deste domingo, nos oferecem dois pontos principais de reflexão: o primeiro sobre o matrimônio, que tratarei adiante; e o segundo sobre Jesus Cristo, que abordarei em seguida. Não temos tempo para comentar esta passagem da Carta aos Hebreus, mas devemos, no início desta Assembléia sinodal, aceitar o convite para fixar o olhar no Senhor Jesus, «coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte» (Hb 2,9). A Palavra de Deus nos coloca diante do crucificado glorioso, de modo que toda a nossa vida e, em particular, o compromisso desta assembléia sinodal, se desenrole presença d’Ele e à luz do seu mistério. A evangelização, em todo tempo e lugar, teve sempre como ponto central e último Jesus, o Cristo, o Filho de Deus (cf. Mc 1,1); e o Crucificado é por excelência o sinal distintivo de quem anuncia o Evangelho: sinal de amor e de paz, chamada à conversão e à reconciliação. Sejamos nós, Venerados Irmãos, os primeiros a ter o olhar do coração dirigido a Ele, deixando-nos purificar pela sua graça.
Queria agora refletir, brevemente, sobre a «nova evangelização», relacionando-a com a evangelização ordinária e com a missão ad gentes. A Igreja existe para evangelizar. Fiéis ao mandamento do Senhor Jesus Cristo, seus discípulos partiram pelo mundo inteiro para anunciar a Boa Nova, fundando, por toda a parte, comunidades cristãs. Com o passar do tempo, essas comunidades tornaram-se Igrejas bem organizadas, com numerosos fiéis. Em determinados períodos da história, a Divina Providência suscitou um renovado dinamismo na ação evangelizadora na Igreja. Basta pensar na evangelização dos povos anglo-saxões e eslavos, ou na transmissão do Evangelho no continente americano, e, em seguida, nos distintos períodos missionários junto dos povos da África, Ásia e Oceania. Sobre este pano de fundo dinâmico, apraz-me também dirigir o olhar para as duas figuras luminosas que acabo de proclamar Doutores da Igreja: São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen. Também nos nossos tempos, o Espírito Santo suscitou na Igreja um novo impulso para proclamar a Boa Nova, um dinamismo espiritual e pastoral que encontrou a sua expressão mais universal e o seu impulso mais autorizado no Concílio Ecumênico Vaticano II. Este renovado dinamismo de evangelização produz uma influência benéfica sobre os dois "ramos" concretos que desenvolvem a partir dela, ou seja, por um lado, a missio ad gentes, isto é, a proclamação do Evangelho para aqueles que ainda não conhecem a Jesus Cristo e a Sua mensagem de salvação; e, por outro lado, a nova evangelização, destinada principalmente às pessoas que, embora batizadas, se distanciaram da Igreja e vivem sem levar em conta prática cristã. A Assembléia sinodal que se abre hoje é dedicada a essa nova evangelização, para ajudar essas pessoas a terem um novo encontro com o Senhor, o único que dá sentido profundo e paz para a nossa existência; para favorecer a redescoberta da fé, a fonte de graça que traz alegria e esperança na vida pessoal, familiar e social. Obviamente, esta orientação particular não deve diminuir nem o impulso missionário, em sentido próprio, nem as atividades ordinárias de evangelização nas nossas comunidades cristãs. Na verdade, os três aspectos da única realidade de evangelização e completam e se fecundam mutuamente.
Neste sentido, o tema do matrimônio, que nos ofereceu o Evangelho e a primeira leitura, merece uma atenção especial. A mensagem da Palavra de Deus pode ser resumida na expressão contida no livro do Gênesis e retomada pelo próprio Jesus: «Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne» (Gn 2,24, Mc 10,7-8). O que significa hoje para nós essa palavra? Parece-me que nos convida a nos tornarmos mais conscientes de uma realidade já conhecida, mas talvez não totalmente apreciada, ou seja, que o matrimônio se constitui, em si mesmo, um Evangelho, uma Boa Nova para o mundo de hoje, em particular para o mundo descristianizado. A união do homem e da mulher, o ser «uma só carne» na caridade, no amor fecundo e indissolúvel, é um sinal que fala de Deus com força, com uma eloqüência que hoje se torna ainda maior porque, infelizmente, por diversas razões, o matrimônio, justamente nas regiões de antiga tradição cristã, está passando por uma profunda crise. Não é uma coincidência. O matrimônio está ligado à fé, não num sentido genérico. O matrimônio se fundamenta, enquanto união do amor fiel e indissolúvel, na graça que vem do Deus Uno e Trino, que em Cristo nos amou com um amor fiel até a Cruz. Hoje, somos capazes de compreender toda a verdade desta afirmação, em contraste com a dolorosa realidade de muitos matrimônios que, infelizmente, acabam mal. Há uma clara correspondência entre a crise da fé e a crise do matrimônio. E, como a Igreja afirma e testemunha há muito tempo, o matrimônio é chamado a ser não apenas objeto, mas o sujeito da nova evangelização. Isso já se vê em muitas experiências ligadas a comunidades e movimentos, mas também se observa, cada vez mais, no tecido das dioceses e paróquias, como demonstrou o recente Encontro Mundial das Famílias.
A chamada universal à santidade é uma das idéias chave do renovado impulso que o Concílio Vaticano II deu à evangelização que, como tal, aplica-se a todos os cristãos (cf. Lumen gentium, 39-42). Os santos são os verdadeiros protagonistas da evangelização em todas as suas expressões. Eles são, em particular, também os pioneiros e os impulsionadores da nova evangelização: pela sua intercessão e exemplo de vida, atentos à criatividade que vem do Espírito Santo, eles mostram às pessoas, indiferentes ou mesmo hostis, a beleza do Evangelho e da comunhão em Cristo; e convidam os fiéis, por assim dizer, tíbios, a viverem a alegria da fé, da esperança e da caridade; a redescobrirem o «gosto» da Palavra de Deus e dos Sacramentos, especialmente do Pão da Vida, a Eucaristia. Santos e santas florescem entre os missionários generosos que anunciam a Boa Nova aos não-cristãos, tradicionalmente nos países de missão e atualmente em todos os lugares onde vivem pessoas não cristãs. A santidade não conhece barreiras culturais, sociais, políticas ou religiosas. Sua linguagem - a do amor e da verdade - é entendida por todos os homens de boa vontade e lhes aproxima de Jesus Cristo, fonte inesgotável de vida nova.
Neste ponto, detenhamo-nos por um momento para admirar os dois santos que hoje foram agregados ao grupo seleto dos Doutores da Igreja. São João de Ávila viveu no século XVI. Profundo conhecedor das Sagradas Escrituras, era dotado de um ardente espírito missionário. Soube adentrar, com uma profundidade particular, nos mistérios da Redenção operada por Cristo para a humanidade. Homem de Deus, unia a oração constante à atividade apostólica. Dedicou-se à pregação e ao aumento da prática dos sacramentos, concentrando seus esforços para melhorar a formação dos futuros candidatos ao sacerdócio, dos religiosos, religiosas e dos leigos, em vista de uma fecunda reforma da Igreja.
Santa Hildegarda de Bingen, importante figura feminina do século XII, ofereceu a sua valiosa contribuição para o crescimento da Igreja do seu tempo, valorizando os dons recebidos de Deus e mostrando-se uma mulher de grande inteligência, sensibilidade profunda e de reconhecida autoridade espiritual. O Senhor dotou-a com um espírito profético e de fervorosa capacidade de discernir os sinais dos tempos. Hildegard nutria um grande amor pela a criação, cultivou a medicina, a poesia e a música. Acima de tudo, sempre manteve um amor grande e fiel a Cristo e à sua Igreja.
O olhar sobre o ideal da vida cristã, expressado na chamada à santidade, nos encoraja a ver com humildade a fragilidade de muitos cristãos, antes, o seu pecado, pessoal e comunitário, que se apresenta como um grande obstáculo para a evangelização; e nos encoraja a reconhecer a força de Deus que, na fé, vem ao encontro da fraqueza humana. Portanto, não se pode falar da nova evangelização sem uma disposição sincera de conversão. Deixar-se reconciliar com Deus e com o próximo (cf. 2 Cor 5,20) é a via mestra da nova evangelização. Só purificados, os cristãos podem encontrar o legítimo orgulho da sua dignidade de filhos de Deus, criados à Sua imagem e redimidos pelo sangue precioso de Jesus Cristo, e podem experimentar a sua alegria, para compartilhá-la com todos, com os de perto e os de longe.
Queridos irmãos e irmãs, confiamos a Deus o trabalho da Assembléia sinodal com o sentimento vivo da comunhão dos santos invocando, em particular, a intercessão dos grandes evangelizadores, dentre os quais queremos incluir com grande afeto, o Beato Papa João Paulo II, cujo longo pontificado foi também um exemplo da nova evangelização. Colocamo-nos sob a proteção da Virgem Maria, Estrela da nova evangelização. Com ela, invocamos uma especial efusão do Espírito Santo, que ilumine do alto a Assembléia sinodal e torne-a fecunda para o caminho da Igreja, hoje no nosso tempo. Amen
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sábado, 4 de agosto de 2012

A Missão Continua porque Você Colaborou. Obrigada!

A Delegação São Francisco de Assis, em Angola, com o coração agradecido diz o muito obrigada a Irmã Lenir pela missão realizada em mais de 20 anos semeando esperança em terras angolanas.

Obrigada Irmã Lenir pelas sementes que fez a terra florir e pelos frutos que hoje colhemos, graças ao seu empenho, coragem, dedicação e sacrífio.
Obrigada pelo seu forte sentido de pertença.
Obrigada pelo amor com que realizaste a missão.
Muita luz e força na nova missão.


Estamos Juntas.