sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo"

São Jerônimo nasceu em Dalmácia cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi batizado. Tendo abraçado a vida ascética, partiu para o Oriente e foi ordenado sacerdote. Regressou a Roma e foi secretário do Papa Dâmaso. Aprendeu o hebreu, a fim de poder estudar as Sagradas Escrituras em seu Original, chegando a dizer:“As fadigas que isto me causou e os esforços que me custaram, só Deus sabe. Quantas vezes desanimei e quantas voltei atrás e tornei a começar pelo desejo de saber; sei-o eu que passei por isso, e sabem-no também os que viviam na minha companhia. Agora dou graças ao Senhor, pois que colho os saborosos frutos das raízes amargas dos estudos”.

Nesta época começou a revisão das traduções latinas da Sagrada Escritura e promoveu a vida monástica. Mais tarde estabeleceu-se em Belém, onde continuou a tomar parte muito ativo nos problemas e necessidades da Igreja. Diante da missão recebida afirmou:

“Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos de Cristo que diz: ‘Examinai as Escrituras e procurai e encontrareis’ para que não tenhais de ouvir o que foi dito aos judeus: ‘Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus’. Se, de fato, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria. Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

JOVENS, VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO!

 
 
 

Queridos jovens amigos!

Durante todo o dia, pensei com alegria nesta noite, quando poderia estar aqui junto convosco e estar unido a vós na oração. Talvez alguns de vós tenham estado presentes na Jornada Mundial da Juventude, onde pudemos experimentar a singular atmosfera de serenidade, profunda comunhão e íntima alegria que caracteriza uma vigília noturna de oração. Espero que possamos nós também fazer a mesma experiência neste momento: Que o Senhor nos toque e faça de nós testemunhas jubilosas, que rezam juntas e servem de suporte umas às outras não só nesta noite, mas durante toda a nossa vida.
Em todas as igrejas, nas catedrais e nos conventos, em toda a parte onde se reúnem os fiéis para a celebração da Vigília Pascal, a mais santa de todas as noites começa com o acendimento do círio pascal, cuja luz é transmitida a todos os presentes. Uma minúscula chama irradia-se para muitas luzes e ilumina a casa de Deus que estava às escuras. Neste maravilhoso rito litúrgico que imitamos nesta vigília de oração, desvenda-se a nós, através de sinais mais eloquentes do que as palavras, o mistério da nossa fé cristã. Jesus, que diz de Si próprio: Eu sou a luz do mundo (Jo 8, 12), faz brilhar a nossa vida, para ser verdadeiro o que acabamos de ouvir no Evangelho: Vós sois a luz do mundo (Mt 5, 14). Não são os nossos esforços humanos nem o progresso técnico do nosso tempo que trazem a luz a este mundo. Experimentamos sempre de novo que o nosso esforço por uma ordem melhor e mais justa tem os seus limites. O sofrimento dos inocentes e, enfim, a morte de cada homem constituem uma escuridão impenetrável que pode talvez ser momentaneamente iluminada por novas experiências, como a noite o é por um relâmpago; mas, no fim, permanece uma escuridão acabrunhadora.
Ao nosso redor pode haver a escuridão e as trevas, todavia vemos uma luz: uma chama pequena, minúscula, que é mais forte do que a escuridão, aparentemente tão poderosa e insuperável. Cristo, que ressuscitou dos mortos, brilha neste mundo, e o faz de modo mais claro precisamente onde tudo, segundo o juízo humano, parece lúgubre e sem esperança. Ele venceu a morte – Ele vive – e a fé n’Ele penetra, como uma pequena luz, em tudo o que é escuro e ameaçador. Certamente quem acredita em Jesus não é que vê sempre só o sol na vida, como se fosse possível poupar-lhe sofrimentos e dificuldades, mas há sempre uma luz clara que lhe indica um caminho que conduz à vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Os olhos de quem acredita em Cristo vislumbram, mesmo na noite mais escura, uma luz e vêem já o fulgor dum novo dia.
A luz não fica sozinha. Ao seu redor, acendem-se outras luzes. Sob os seus raios, delineiam-se de tal modo os contornos do ambiente que podemos nos orientar. Não vivemos sozinhos no mundo. Precisamente das coisas importantes da vida, temos necessidade de outras pessoas. Assim, de modo particular na fé, não estamos sozinhos, somos anéis na grande corrente dos crentes. Ninguém chega a crer, se não for sustentado pela fé dos outros; mas, por outro lado, com a minha fé contribuo para confirmar os outros na sua fé. Ajudamo-nos mutuamente a ser exemplo uns para os outros, partilhamos com os outros o que é nosso, os nossos pensamentos, as nossas ações, a nossa estima. E ajudamo-nos mutuamente a orientar-nos, a identificar o nosso lugar na sociedade.
Queridos amigos, diz o Senhor: Eu sou a luz do mundo; vós sois a luz do mundo. É uma coisa misteriosa e magnífica que Jesus tenha dito de Si próprio e de cada um de nós a mesma coisa, ou seja, que somos luz. Se acreditarmos que Ele é o Filho de Deus que curou os doentes e ressuscitou os mortos, antes, que Ele mesmo ressuscitou do sepulcro e está verdadeiramente vivo, então compreenderemos que Ele é a luz, a fonte de todas as luzes deste mundo. Nós, ao contrário, não cessamos de experimentar a falência dos nossos esforços e o erro pessoal, apesar das melhores intenções. Ao que parece, não obstante o seu progresso técnico, o mundo onde vivemos, em última análise, não tem se tornado melhor. Existem ainda guerras, terror, fome e doença, pobreza extrema e desalmada repressão. E mesmo aqueles que, na história, se consideraram portadores de luz, mas sem ter sido iluminados por Cristo que é a única verdadeira luz, para dizer a verdade, não criaram paraíso terrestre algum, antes instauraram ditaduras e sistemas totalitários onde até a mais pequena centelha de humanismo foi sufocada.
Neste ponto, não devemos calar o fato de que o mal existe. Vemo-lo em tantos lugares deste mundo; mas vemo-lo também – e isto assusta-nos – na nossa própria vida. Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja, a agressividade. Com certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar. Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem. Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios. Então como pode Cristo dizer que os cristãos – sem ter excluído os cristãos fracos e frequentemente tão tíbios – são a luz do mundo? Compreenderíamos talvez que Ele tivesse gritado: Convertei-vos! Sede a luz do mundo! Mudai a vossa vida, tornai-a clara e resplandecente! Não será caso de ficar maravilhados ao vermos que o Senhor não nos dirige um apelo, mas diz que somos a luz do mundo, que somos luminosos, que resplandecemos na escuridão?
Queridos amigos, o apóstolo São Paulo, em muitas das suas cartas, não tem receio de designar por santos os seus contemporâneos, os membros das comunidade locais. Aqui torna-se evidente que cada batizado – ainda antes de poder realizar boas obras ou particulares ações – é santificado por Deus. No batismo, o Senhor acende, por assim dizer, uma luz na nossa vida, uma luz que o Catecismo chama a graça santificante. Quem conservar essa luz, quem viver na graça, é efetivamente santo.
Queridos amigos, a imagem dos santos foi repetidamente objeto de caricatura e apresentada de modo distorcido, como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingênuo e viver sem alegria. Não é raro pensar-se que um santo seja apenas aquele que realiza ações ascéticas e morais de nível altíssimo, pelo que se pode certamente venerar, mas nunca imitar na própria vida. Como é errada e desalentadora esta visão! Não há nenhum santo, à exceção da bem-aventurada Virgem Maria, que não tenha conhecido também o pecado e que não tenha caído alguma vez. Queridos amigos, Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilastes e caístes na vida, mas, sobretudo, de quantas vezes vos erguestes. Não exige ações extraordinárias, mas quer que a sua luz brilhe em vós. Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos. Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz. Sois cristãos, não porque realizais coisas singulares e extraordinárias, mas porque Ele, Cristo, é a vossa vida. Sois santos, porque a sua graça atua em vós.
Queridos amigos, nesta noite em que nos reunimos em oração ao redor do único Senhor, vislumbramos a verdade da palavra de Cristo segundo a qual não pode ficar escondida uma cidade situada no cimo de um monte. Esta assembléia brilha nos vários significados da palavra: quer no clarão de inúmeras luzes, quer no resplendor de tantos jovens que acreditam em Cristo. Uma vela só pode dar luz, deixando-se consumir pela chama; permaneceria inútil, se a sua cera não alimentasse o fogo. Permiti que Cristo arda em vós, ainda que isto possa às vezes implicar sacrifício e renúncia. Não tenhais medo de poder perder alguma coisa, ficando, no fim, por assim dizer de mãos vazias. Tende a coragem de empenhar os vossos talentos e os vossos dotes pelo Reino de Deus e de vos dar a vós mesmos – como a cera da vela –, para que o Senhor ilumine, por vosso meio, a escuridão. Sabei ousar ser santos ardorosos, em cujos olhos e coração brilha o amor de Cristo e que, deste modo, trazem luz ao mundo. Eu confio que vós e muitos outros jovens aqui na Alemanha sejam chamas de esperança, que não ficam escondidas. Vós sois a luz do mundo. Amém.
 
(Encontro do Papa com os Jovens em sua visita a Alemanha)

FONTE: ZENIT.org

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Papa regressa ao Vaticano confiante no "futuro do cristianismo"


Viagem de quatro dias marcada por apelos à união entre católicos e ao respeito pela liberdade religiosa na Europa pós-Muro de Berlim.
O Papa despediu-se da Alemanha, após uma viagem de quatro dias, a primeira com estatuto de visita de Estado, marcada por vários apelos à união entre católicos e ao respeito pela dimensão pública da religião.
"Recordo com prazer as celebrações litúrgicas comuns, a alegria de ouvir juntos a Palavra de Deus e de rezar unidos - e isto sobretudo nas partes do país onde, durante decénios, se tentou remover a religião da vida das pessoas. Isto enche-me de confiança quanto ao futuro do cristianismo na Alemanha", disse o Papa no seu discurso final, proferido no aeroporto de Lahr, 50 quilómetros a norte de Friburgo, no sudoeste alemão.
Diante do presidente germânico, Christian Wulff, Bento XVI passou em revista a terceira viagem à Alemanha, 21ª ao estrangeiro (16ª na Europa), que se iniciou na quinta-feira e contou com passagens por Berlim, Erfurt, Etzelsbach e Friburgo, tendo como lema 'Onde há Deus, há futuro'.
Uma visita que incluiu o primeiro discurso alguma vez proferida por um Papa no parlamento federal alemão, o Bundestag, no qual apelou à redescoberta do património cristão da Europa para defender o futuro do "Estado de Direito" no Velho Continente.
Várias intervenções de Bento XVI visaram a tendência de remeter a religião para o espaço privado ou mesmo de a "marginalizar", preocupação que partilhou com representantes muçulmanos e, antes, com líderes judaicos, junto dos quais lembrou as "horríveis imagens que chegaram dos campos de concentração" nazi e o Holocausto.
Após a passagem pela capital germânica, o Papa entrou no território da antiga República Democrática Alemã, na qual homenageou a resistência da fé face à ditadura nazi e ao regime comunista, que comparou a uma "chuva ácida", sublinhando o papel dos católicos na queda do Muro de Berlim, em 1989.
A região o encontro com membros da comunidade protestante, num antigo convento Agostinho em que viveu Martinho Lutero, um dos «pais» da reforma do século XVI.
O Papa reafirmou distâncias quando se mostrou mais próximo das Igrejas da Ortodoxia e disse aos luteranos que a vivência da fé não pode admitir qualquer "adulteração" para poder fazer face a um "mundo secularizado".
Nos discursos dirigidos aos católicos na Alemanha - que proporcionaram ao Papa vários banhos de multidão -, Bento XVI criticou os conflitos internos que afastam os católicos da sua ligação ao Vaticano e aos seus bispos, bem como a excessiva institucionalização das comunidades, defendendo a libertação de qualquer "fardo material e político" na Igreja para superar uma "crise de fé".
Os "tristes escândalos" de abusos sexuais de menores por membros do clero e em instituições Ecclesiais também mereceram a atenção do Papa, que recebeu um grupo de vítimas, após ter admitido "compreender" quem deixa a Igreja por se sentir "escandalizado por estes crimes, que foram revelados nos últimos tempos".
Um tempo difícil para o qual Bento XVI pediu o apoio dos fiéis, declarando que "permanecer em Cristo" significa "permanecer na Igreja".
"Agradeço a todos por estes dias estupendos, por tantos encontros pessoais e pelos inumeráveis sinais de atenção e de estima que me manifestaram", disse o Papa, antes de regressar ao Vaticano, onde chegou esta noite após mais de 2750 quilómetros percorridos em 84 horas e meia.
OC.

sábado, 24 de setembro de 2011

As Faces da Pobreza no mundo

Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de um dólar por dia. Outros 2.7 bilhões lutam para sobreviver com menos de dois dólares por dia. A pobreza nos países em desenvolvimento, no entanto, vai muito além da pobreza de renda. Significa ter de caminhar mais de 1,5 quilômetros todos os dias, apenas para ir buscar água e lenha; significa sofrer de doenças que, nos países ricos, foram erradicadas há décadas. Todos os anos, morrem onze milhões de crianças , a maioria das quais com menos de cinco anos; e mais de seis milhões morrem devido a causas totalmente evitáveis como a malária, a diarréia e a pneumonia.

Em alguns países extremamente pobres, menos de metade das crianças freqüentam o ensino primário e uma percentagem inferior a 20% passa para o ensino secundário. No mundo inteiro, 114 milhões de crianças não recebem instrução sequer ao nível básico e 584 milhões de mulheres são analfabetas.

Apresentamos em seguida alguns dados elementares que revelam as causas e expressões da pobreza que afeta mais de um terço da população mundial.
Saúde
  • Todos os anos, seis milhões de crianças morrem de má nutrição de fazer cinco anos.
  • Mais de 50% dos africanos sofrem de doenças relacionadas à qualidade da água, como cólera e diarréia infantil.
  • Todos os dias , o HIV/AIDS mata 6.000 pessoas e infecta outras 8.200 .
  • A cada 30 segundos, uma criança africana morre devido à malária – o que significa mais de um milhão de crianças mortas por ano.
  • A cada ano, aproximadamente 300 a 500 milhões de pessoas são infectadas pela malária. Aproximadamente três milhões de pessoas morrem por causa da doença.
  • Tuberculose (TB) é a principal causa de morte relacionada com a AIDS e, em algumas partes da África, 75% das pessoas portadoras do vírus HIV também têm TB.
Fome
  • Mais de 800 milhões de pessoas vão se deitar todas as noites com fome; dentre elas, 300 milhões são crianças.
  • Desses 300 milhões de crianças, apenas 8% são vítimas de fome ou de outras condições de emergência. Mais de 90% sofrem de má nutrição prolongada e de um déficit de micronutrientes.
  • A cada 3,6 segundos , mais uma pessoa morre de fome; em sua grande maioria, crianças com menos de 5 anos.
Água
  • Mais de 2,6 bilhões de pessoas - mais de 40% da população mundial – carecem de saneamento básico e mais de um bilhão continua a usar fontes de água imprópria para o consumo.
  • Quatro em cada dez pessoas no mundo carecem de acesso a uma simples latrina.
  • Cinco milhões de pessoas, na sua maioria crianças, morrem todos os anos de doenças relacionadas à qualidade da água.
Agricultura
  • Em 1969, a África era um exportador líquido de alimentos; hoje, o continente importa um terço dos cereais de que necessita.
  • Mais de 40% dos africanos não têm capacidade de obter diariamente os alimentos suficientes.
  • A decrescente fertilidade dos solos, a sua degradação e a pandemia da AIDS levaram a uma diminuição da produção de alimentos per capita da ordem dos 23%, nos últimos 25 anos, apesar de a população ter aumentado muito significativamente.
  • O agricultor africano paga pelos fertilizantes convencionais entre três e seis vezes mais do que o seu custo no mercado mundial.
 O efeito devastador da pobreza nas mulheres
  • Mais de 80% dos agricultores da África são mulheres.
  • Mais de 40% das mulheres africanas carecem de acesso ao ensino básico.
  • Se uma menina receber instrução durante seis anos ou mais, a sua utilização, quando adulta, dos cuidados pré e pós-natais e a taxa de sobrevivência ao parto aumentam significativamente.
  • As mães que possuem instrução vacinam os filhos com uma freqüência 50% superior à das mães não-instruídas.
  • A AIDS propaga-se com o dobro da rapidez entre as meninas não instruídas, em comparação com aquelas que têm alguma escolaridade.
  • Os filhos de uma mulher que freqüentou o ensino primário durante cinco anos apresentam uma taxa de sobrevivência 40% superior aos filhos das mulheres sem qualquer instrução.
  • Uma mulher da África sub-saariana tem 1 possibilidade em 16 de morrer durante a gravidez ou o parto. Na América do Norte, o risco de é 1 em cada 3700 casos.
  • Em cada minuto, uma mulher morre no mundo durante a gravidez ou o parto. Isto significa que, no total, morrem 1.400 mulheres por dia – isto é, 529.000 por ano – devido a causas relacionadas com a gravidez.
Quase metade dos partos, nos países em desenvolvimento, não são assistidos por um técnico de saúde.

FONTE: http://www.pnud.org.br/milenio/index.php

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Papa alerta para consequências da «indiferença» perante a religião .

Bento XVI inicia primeira visita de Estado à sua terra natal afirmando que não segue «objectivos políticos ou económicos».

Bento XVI afirmou hoje na Alemanha que a "indiferença crescente na sociedade" perante a religião pode colocar em risco a "convivência" entre todas as pessoas.


"A respeito da religião, constatamos uma indiferença crescente na sociedade, que, nas suas decisões, tende a considerar a questão da verdade sobretudo como um obstáculo, dando por isso a prioridade às considerações utilitaristas", disse, ao ser recebido em Berlim pelo presidente alemão, Christian Wulff.


No seu primeiro discurso na capital germânica, o Papa destacou que "a liberdade precisa de uma ligação primordial a uma instância superior" e que "o facto de haver valores que não são de modo algum manipuláveis" é a "verdadeira garantia" da liberdade.


A cerimónia de boas-vindas na primeira visita de Estado de Bento XVI à sua terra natal, seis anos após a sua eleição (Abril de 2005) decorreu nos jardins do palácio, residência oficial do chefe de Estado alemão.


"Embora a minha viagem seja uma visita oficial que reforçará as boas relações entre a República Federal da Alemanha e a Santa Sé, não vim aqui primariamente por ter em vista certos objectivos políticos ou económicos, como justamente fazem outros homens de Estado, mas para encontrar o povo e falar-lhe de Deus", precisou o Papa, numa intervenção sublinhada pelas palmas dos presentes.


Para Bento XVI, a "convivência" social exige uma "base vinculativa", "caso contrário, cada um vive só para o seu individualismo".


"A religião é um destes fundamentos para uma convivência bem sucedida", indicou.


O discurso papal assinalou a importância da "solidariedade": "Só usando também as minhas forças para o bem dos outros é que posso verdadeiramente realizar-me como pessoa livre. Isto vale não só no âmbito privado mas também na sociedade".


Christian Wulff afirmou, por diversas vezes, que o Papa voltava "a casa", recordando a ligação do país à Igreja Católica e a ação de João Paulo II (1920-2005) no processo que levou à reunificação da Alemanha Ocidental e de Leste, em 1990.


Cerimónia de boas-vindas no Castelo de Bellevue de Berlim


Bento XVI falou da história alemã, incluindo as "páginas escuras do passado", convidando todos a "aprender com elas e receber estímulos para o presente".

"A República Federal da Alemanha tornou-se naquilo que é hoje, através da força da liberdade plasmada pela responsabilidade diante de Deus e a de cada um perante o outro. Ela precisa desta dinâmica, que envolve todos os âmbitos humanos, para poder continuar a desenvolver-se nas condições atuais", apontou.


Após a cerimónia, tem lugar uma "visita de cortesia" ao presidente Christian Wulff, em privado, dirigindo-se o Papa em seguida para a sede da Conferência Episcopal em Berlim, junto da Academia Católica, onde às 12h50 decorre um encontro com a chanceler Angela Merkel.


Para a tarde, está marcado um discurso no parlamento federal, gesto que gerou protestos de alguns partidos da oposição.


O primeiro dia da visita papal conclui-se com uma missa, às 18h30, no Estádio Olímpico de Berlim, cidade com 7% de católicos (dados do Vaticano), onde se esperam mais de 70 mil pessoas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Viagem Apostólica do Santo Padre à Alemanha

Viagem de quatro dias inclui passagem pelo convento onde viveu Martinho Lutero.

Bento XVI vai iniciar esta quinta-feira a sua terceira viagem à Alemanha desde que foi eleito Papa, em 2005, uma iniciativa que tem, pela primeira vez, carácter de visita de Estado.


O Papa será recebido pelo presidente federal, Christian Wulff, e por Angela Merkel em Berlim, na quinta-feira, dia no qual vai discursar perante o parlamento alemão, o Bundestag, um gesto que gerou protestos de alguns partidos da oposição.
Para o representante diplomático do Vaticano na Alemanha, D. Jean-Claude Périsset, estas reacções à visita de Bento XVI demonstram desconhecimento do que "representa a pessoa do Papa".

"Espero que os protestos decorram dentro dos limites do que é correto, tendo em conta que o convite partiu do próprio parlamento. Caso contrário, manifestar-se-ia uma atitude intolerante", alerta o núncio apostólico em Berlim, falando à Rádio Vaticano.


O embaixador da Alemanha junto da Santa Sé, Walter Jürgen Schmid, reforça a ideia de que "a visita do Papa é uma visita de Estado, uma visita oficial", o que significa que "acontece a convite do presidente da República" alemã, considerando o discurso no Bundestag como um "acontecimento extraordinário".


O Papa alemão esteve na sua terra natal em 2005 (Jornada Mundial da Juventude em Colónia) e 2006 (visita à Baviera, região onde nasceu).
Esta terceira viagem conta com passagens por Berlim, Erfurt, Etzelsbach e Friburgo, tendo como lema 'Onde há Deus, há futuro'.

A chegada a Berlim, na quinta-feira, está prevista para as 10h30 locais (menos uma em Lisboa) e a cerimónia de boas vindas, com o primeiro discurso papal, acontece no castelo de Bellevue, às 11h15, seguida de uma visita de cortesia ao presidente alemão.


Às 12h50 decorre um encontro com a chanceler Angela Merkel, na sede da conferência episcopal alemã, antes do discurso no parlamento federal.
Bento XVI recebe depois representantes da comunidade judaica - em 2005, na visita a Colónia, o Papa visitara a sinagoga local.

O primeiro dia da visita papal conclui-se com uma missa, às 18h30, no Estádio Olímpico.


Antes de voar até Erfurt, na sexta-feira, Bento XVI vai encontrar-se, ainda em Berlim, com representantes da comunidade muçulmana na Nunciatura Apostólica [embaixada da Santa Sé].


Em Erfurt, capital da Turíngia, no leste do país, o Papa começa por visitar a catedral católica, reunindo, pelas 11h45, com representantes do Conselho da Igreja Evangélica Alemã no antigo convento dos Agostinhos, onde viveu Martinho Lutero (1483-1546), antes de promover a reforma que o levou à separação de Roma.


"A verdadeira grandeza do evento consiste nisso mesmo, que nesse lugar possamos pensar em conjunto, escutar a Palavra de Deus e rezar; assim, estaremos intimamente próximos e manifestar-se-á um verdadeiro ecumenismo", disse o Papa numa mensagem ao povo alemão, transmitida no sábado à noite pela televisão pública germânica.


O sábado inicia-se com a missa no Domplatz de Erfurt, às 09h00, partindo o Papa para Friburgo, onde visita a catedral católica pelas 14h00 e saúda os cidadãos, na Münsterplaz.

Às 19h00, na Feira de Friburgo, o Papa preside a uma vigília de oração com os jovens.


O dia final da visita começa com uma missa no aeroporto turístico de Friburgo, pelas 10h00.


A chegada a Roma está prevista para as 20h45 de domingo, após seis voos, 12 discursos, três homilias, duas saudações e mais de 2750 quilómetros percorridos em 84 horas e meia.

Viagem Apostólica do Santo Padre à Alemanha